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	<title>A biografia de Getúlio Vargas, por Lira Neto</title>
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	<description>Vem aí a biografia do maior e mais controvertido personagem da política brasileira no século XX</description>
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		<title>A biografia de Getúlio Vargas, por Lira Neto</title>
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		<title>RT Features negociou direitos para cinema e tevê</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Oct 2011 17:42:23 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>(Roberto Kaz &#8211; <em>Folha de São Paulo</em>) - Um ano atrás [janeiro de 2010], o produtor Rodrigo Teixeira, da RT Features, sentou-se à mesa com o editor Luiz Schwarcz e o jornalista Lira Neto para tratar de um assunto que interessava aos três: a viabilização de uma biografia sobre Getúlio Vargas (1882-1954).</p>
<p>Teixeira conhecera Neto alguns meses antes, quando comprara os direitos de seu último livro, <em>Padre Cícero – Poder, Fé e Guerra no Sertão</em> (Companhia das Letras; R$ 49,50; 544 págs.) para transformá-lo em um filme de Sérgio Machado<br />
– diretor de <em>Cidade Baixa</em> (2005) e <em>Quincas Berro d’Água</em> (2010).</p>
<p>Dessa vez, no entanto, Teixeira resolveu investir na fonte, bancando o livro a partir da ideia.</p>
<p>Por telefone, Lira Neto disse à <em>Folha</em> que o trabalho deve levar, ao todo, ao menos cinco anos.</p>
<p>“Penso em publicar três volumes. A editora sozinha talvez não bancasse um projeto dessa dimensão; sem o Rodrigo, não haveria pesquisa”, admitiu.</p>
<p>Neto conta que, à diferença do que ocorreu com seus livros anteriores –ele também é autor de <em>Maysa – Só Numa Multidão de Amores</em> (ed. Globo; R$ 32; 432 págs.)–, dessa vez tem se dedicado com exclusividade à pesquisa.</p>
<p>Diz ter fechado o ano de 2010 “com 50 mil páginas de jornais de época, correspondências e documentos jurídicos lidos e catalogados”.</p>
<p>O primeiro volume, acredita, deve ficar pronto em um ano e meio. “Por ora, tenho me concentrado na gênese do personagem, no Getúlio antes de ser presidente”, diz.</p>
<p>Após repetidas visitas a São Borja (município onde Getúlio nasceu, no Rio Grande do Sul) e Ouro Preto (onde estudou em Minas Gerais), descobriu que Getúlio era falsamente acusado de dois assassinatos.</p>
<p>“Pela primeira vez alguém teve acesso aos inquéritos de dois assassinatos atribuídos pelo Carlos Lacerda a ele. Pelo menos nesses casos, o Getúlio estava limpo”, revelou.</p>
<p>Uma das acusações dizia respeito à morte de um cacique, em 1920, por um homem chamado Getúlio Dorneles Vargas.</p>
<p>“O processo se referia a esse Getúlio como nascido em ano e município que não condiziam com os do ex-presidente. Pensei: ou está errado ou é outro”, disse Neto.</p>
<p>Após pesquisar as certidões de nascimento, descobriu que de fato havia, no Rio Grande do Sul, um segundo Getúlio Dorneles Vargas, homônimo ao presidente.</p>
<p>“Era um erro histórico que estava sendo perpetuado”, concluiu Neto.</p>
<p>(<em>Texto publicado originalmente na Folha de São Paulo em 10 de janeiro de 2011. Foto: Acervo do Museu Joaquim José Felizardo/Fototeca Sioma Breitman)</em></p>
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		<title>Por que uma biografia de Getúlio?</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Oct 2011 22:51:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>biografiagetulio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil Econômico]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>

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		<description><![CDATA[(Lira Neto &#8211; Brasil Econômico) Sempre me inquietou o fato de Getúlio nunca ter sido alvo de uma biografia jornalística exaustiva, moderna, cuidadosa no trato com as fontes primárias, atenta à profusão de estudos acadêmicos a respeito do período e, em especial, sem o impressionismo da maioria dos relatos biográficos já publicados sobre o personagem.&#160;&#8230; <a href="http://biografiagetuliovargas.wordpress.com/2011/10/04/por-que-uma-biografia-de-getulio/">Leia mais</a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=biografiagetuliovargas.wordpress.com&amp;blog=28034755&amp;post=33&amp;subd=biografiagetuliovargas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://biografiagetuliovargas.files.wordpress.com/2011/10/get42.png"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-37" title="get4" src="http://biografiagetuliovargas.files.wordpress.com/2011/10/get42.png?w=150&#038;h=150" alt="" width="150" height="150" /></a></p>
<p>(Lira Neto &#8211; <em>Brasil Econômico</em>) Sempre me inquietou o fato de Getúlio nunca ter sido alvo de uma biografia jornalística exaustiva, moderna, cuidadosa no trato com as fontes primárias, atenta à profusão de estudos acadêmicos a respeito do período e, em especial, sem o impressionismo da maioria dos relatos biográficos já publicados sobre o personagem.</p>
<p>O historiador norte-americano Robert Levine, na abertura de seu <em>Pai dos Pobres?</em>, demonstrava o mesmo incômodo, ao constatar que não há “uma biografia completa e atualizada de Vargas”.</p>
<p>O também brasilianista Thomas Skidmore, autor de <em>Brasil: de Getúlio a Castello</em>, já chegou a escrever que a tarefa de biografar Getúlio exigiria “quase toda a vida de um eventual biógrafo”.</p>
<p>Na semana passada, quando Ancelmo Gois revelou no <em>O Globo</em> que estou trabalhando justamente em uma biografia de Getúlio a ser publicada pela Companhia das Letras, um amigo jornalista me ligou para desejar boa sorte e para lastimar a perda de minha presença por uns bons tempos.</p>
<p>“Você amarrou uma bola de ferro em seu tornozelo”, brincou. “Seus dias de sossego terminaram. Getúlio vai lhe tomar cada minuto do dia, sugar-lhe cada gota de sangue, exigir-lhe cada fiapo de energia”, avisou-me o colega, também autor de biografias.</p>
<p>Ao mesmo tempo, agradeceu-me pelo peso que eu lhe tirara das costas. “Eu já cogitei escrever uma biografia de Getúlio”, confidenciou-me. “A notícia de que você saiu na frente me libertou, para sempre, de tal fardo”, comemorou.</p>
<p>Getúlio é, sem dúvida, o personagem mais controvertido da política brasileira. Ninguém passou mais tempo no poder republicano do que ele. Ninguém despertou tanta paixão e tanto ódio. No exercício da presidência, ninguém foi mais enigmático, impenetrável, contraditório, ambivalente.</p>
<p>Mais de meio século após sua morte, seu fantasma e as representações coletivas em torno de sua figura ainda nos rondam, provocando contestações, desafiando exegetas, contrapondo analistas.</p>
<p>Antes de receber a faixa presidencial em 1994, Fernando Henrique Cardoso defendeu que era a hora do Brasil virar uma página histórica: “Resta um pedaço do nosso passado político que ainda atravanca o presente e retarda o avanço da sociedade. Refiro-me ao legado da Era Vargas”.</p>
<p>Pois em controvérsia recentíssima, às vésperas de mais uma eleição presidencial – o jornalista e cientista político André Singer, de um lado; e o também cientista político Sérgio Fausto e a professora Maria Sylvia Carvalho Franco de outro –, discute-se na<em> Folha de S. Paulo</em> se o suposto legado de Getúlio ao chamado “lulo-petismo” é a marca de um espólio legítimo ou a perversão de uma herança maldita.</p>
<p>Em se tratando de Getúlio, muitas perguntas permanecem sem resposta. Já foram utilizadas toneladas de papel e tinta para se tentar “decifrá-lo”. Biógrafos oficiais, como Paul Frischauer, André Carrazzoni, Leal de Souza e Barros Vidal encarregaram-se de traçar-lhe uma hagiografia tão caudalosa quanto laudatória.</p>
<p>No flanco oposto, êmulos como Affonso Henriques e seu cáustico <em>Ascensão e Queda de Getúlio Vargas</em> apostaram na total desconstrução do biografado. Nesse embate, apologistas e detratores forçosamente se anulam, pela parcialidade dos sinais contrários.</p>
<p>Bem mais equilibrados, Boris Fausto, Foster Dulles, Paulo Brandi e Hélio Silva, com virtudes e lacunas, preocuparam-se em registrar a trajetória política de Getúlio, mas passaram ao largo da percuciência no detalhe, da dimensão estética da narrativa e da investigação quase arqueológica da esfera privada, matérias-primas de uma biografia jornalística.</p>
<p>Sem idêntico distanciamento, o jornalista José Augusto Ribeiro, renunciando de modo deliberado à isenção, escreveu um perfil apaixonado de Getúlio em <em>A Era Vargas</em>. Fernando Jorge, igualmente jornalista, também de modo assumido, sobrepôs o contexto ao personagem em <em>Getúlio Vargas e o Seu Tempo</em>.</p>
<p>Por fim, de modo provocador, Juremir Machado optou pela forma de romance para contar a história de Getúlio, mesclando ficção e história, explicitando as reservas teóricas e metodológicas do autor ao gênero biográfico.</p>
<p>Diante de tudo isso, caberia a pergunta: ainda há o que escrever sobre Getúlio? Uma biografia dele ainda se faz pertinente e necessária? Sem pestanejar, a resposta é sim.</p>
<p>Há sempre documentos a descobrir e, principalmente, novas questões a fazer, ângulos diferentes a explorar. Não existem biografias definitivas. Nenhum livro consegue dar conta da complexidade de uma vida e de um indivíduo.</p>
<p>Especialmente se esse indivíduo foi tão múltiplo e polêmico quanto Getúlio Dornelles Vargas.</p>
<p>(<em>Texto originalmente publicado no jornal Brasil Econômico em 1 de outubro de 2010</em>. <em>Foto: Acervo do Museu Joaquim José Felizardo/Fototeca Sioma Breitman</em>)</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/biografiagetuliovargas.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/biografiagetuliovargas.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/biografiagetuliovargas.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/biografiagetuliovargas.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/biografiagetuliovargas.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/biografiagetuliovargas.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/biografiagetuliovargas.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/biografiagetuliovargas.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/biografiagetuliovargas.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/biografiagetuliovargas.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/biografiagetuliovargas.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/biografiagetuliovargas.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/biografiagetuliovargas.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/biografiagetuliovargas.wordpress.com/33/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=biografiagetuliovargas.wordpress.com&amp;blog=28034755&amp;post=33&amp;subd=biografiagetuliovargas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Getúlio: esses muitos homens</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Oct 2011 17:41:29 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[(Tiago Lopes &#8211; Coluna &#8220;Substantivo Masculino&#8221;, revista VIP online) - Getúlio Vargas não é uma figura fácil de ser descrita. Para uns, foi o “pai dos pobres” devido à atenção dedicada aos trabalhadores — foi ele quem criou o salário mínimo e a carteira profissional, por exemplo; para outros, foi um ditador egocêntrico, alguém que perseguiu&#160;&#8230; <a href="http://biografiagetuliovargas.wordpress.com/2011/10/03/74/">Leia mais</a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=biografiagetuliovargas.wordpress.com&amp;blog=28034755&amp;post=74&amp;subd=biografiagetuliovargas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(Tiago Lopes &#8211; Coluna &#8220;Substantivo Masculino&#8221;, revista <em>VIP</em> online) - Getúlio Vargas não é uma figura fácil de ser descrita. Para uns, foi o “pai dos pobres” devido à atenção dedicada aos trabalhadores — foi ele quem criou o salário mínimo e a carteira profissional, por exemplo; para outros, foi um ditador egocêntrico, alguém que perseguiu opositores e que abusou do populismo para cair nas graças da nação. Talvez pelo trabalho desumano de desconstruir sua pessoa sem paixão — apesar de algumas tentativas –, Getúlio apenas teve biógrafos que pendiam para o bem e para o mal. Deixou a vida para entrar para a História, e a História pode enganar.</p>
<p>O jornalista cearense Lira Neto tomou para si tal fardo e se propôs a fazer uma biografia de Getúlio, esses muitos homens. Tão logo deixou os originais de <em>Padre Cícero</em><em>: Poder, Fé e Guerra no Sertão</em> na editora, passou a trabalhar na obra da vida do político gaúcho. Desde agosto de 2009 tem se debruçado a traduzir no papel aquele que foi um dos mais controversos políticos brasileiros. Esta será a sexta biografia de Lira Neto — <em>O Poder e a Peste: A Vida de Rodolfo Teófilo</em> (1999), <em>Castello: A Marcha para a Ditadura</em> (2004), <em>O Inimigo do Rei: uma biografia de José de Alencar</em> (2006), <em>Maysa: Só Numa Multidão de Amores</em> (2007) e <em>Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão</em> (2009). A previsão é que a obra, ainda sem data para ser lançada, seja densa como nenhuma outra do jornalista: deve ter três volumes de aproximadamente 500 páginas cada. Eu bati um papo com Lira Neto para saber mais da obra e do político.</p>
<p><strong>Por que biografar Getúlio Vargas?</strong><br />
Getúlio é, sem dúvida, o principal personagem da história republicana brasileira. Já se escreveram centenas de livros sobre ele. Mas faltava uma biografia moderna, jornalística, a seu respeito. A ideia é justamente tentar suprir esta lacuna.</p>
<p><strong>Quais aspectos da vida de Getúlio o senhor acredita que terão mais destaque na biografia, segundo a sua pesquisa até o momento?</strong><br />
Em se tratando de Getúlio, é difícil se falar de um período específico de sua trajetória. Pretendo ser o mais abrangente possível. Por isso mesmo, a ideia inicial é a de que deverá ser uma trilogia – e não um único volume. Interessa-me mostrar como Getúlio transformou o Brasil e como ele próprio foi sendo transformado pelas circunstâncias históricas que acabou produzindo ao longo de sua ação política. Como se trata de uma biografia, procurarei estabelecer relações entre a trajetória pública e a vida privada do personagem, em busca das explicações e das inevitáveis contradições que essas duas esferas da existência possam conter.</p>
<p><strong>Em que fase o senhor está na concepção da biografia e o que acredita que será mais trabalhoso?</strong><br />
Sou essencialmente um repórter e, como tal, considero que o mais trabalhoso — e também o mais instigante — é o trabalho de apuração e pesquisa. Estou trabalhando na biografia de Getúlio há apenas um ano. Nesse meio tempo, concentrei-me na, digamos, “pré-história” do biografado, ou seja, no Getúlio anterior à chegada à presidência da República. É um período fascinante, este, o do Rio Grande do Sul à época da República Velha. Em tal trecho da história, há assassinatos, guerras, traições e intrigas políticas a perder de vista.</p>
<p><strong>Getúlio, Padre Cícero, José de Alencar, Maysa. Como o senhor decide quem biografar? Que elementos o personagem deve ter?</strong><br />
Escolho meu biografados pelo potencial de contradições e controvérsias que eles encarnam. Não biografaria existências em linha reta. Gosto de personagens dúbios, enigmáticos, controvertidos, que foram amados e odiados na mesma medida. No fundo, a despeito das dessemelhanças entre meus biografados, tenho me dedicado a biografar uma única “pessoa”, desde sempre: o poder. É ele o meu alvo de investigação predileto.</p>
<p><strong>Getúlio ainda é um político muito presente na vida pública. Tanto que muitos políticos contemporâneos se comparam a ele. A que se deve isso?</strong><br />
Getúlio soube construir uma imagem pública poderosa, com base em seu inegável magnetismo pessoal e numa eficiente máquina de propaganda política. Tenho obrigação de mostrar como isso se deu e, em que medida, isso se entranhou na sociedade brasileira.</p>
<p><strong>Como o senhor se define politicamente?</strong><br />
Nunca me filiei a nenhum partido político. Não pertenço a nenhuma igreja ou religião. Nem escola de samba eu tenho. No futebol, aqui em São Paulo, nenhum time me mobiliza. Sou um descrente profissional.</p>
<p><strong>FHC disse, antes de receber a faixa presidencial em 1994, que o legado da Era Vargas atravancava o presente do Brasil. Mais de 15 anos se passaram — oito de governo Lula — e agora vivemos a gestão da primeira mulher na Presidência, Dilma Rousseff. A Era Vargas acabou?</strong><br />
Por várias vezes, a chamada Era Vargas recebeu seu atestado de óbito. Mas, para o bem e para o mal, continua mais viva do que nunca.</p>
<p><strong>Há previsão de quando a obra será publicada?</strong><br />
O que vai determinar isso é o ritmo da pesquisa e, posteriormente, da fase de escrita. Serão, no mínimo, cinco anos de trabalho, em regime de dedicação exclusiva. Parece muito. Mas, em se tratando de Getúlio, é bem pouco. Só um obsessivo como eu toparia tal desafio.</p>
<p>(<em>Foto: Acervo do Museu Joaquim José Felizardo/Fototeca Sioma Breitman</em>)</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/biografiagetuliovargas.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/biografiagetuliovargas.wordpress.com/74/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/biografiagetuliovargas.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/biografiagetuliovargas.wordpress.com/74/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/biografiagetuliovargas.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/biografiagetuliovargas.wordpress.com/74/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/biografiagetuliovargas.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/biografiagetuliovargas.wordpress.com/74/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/biografiagetuliovargas.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/biografiagetuliovargas.wordpress.com/74/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/biografiagetuliovargas.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/biografiagetuliovargas.wordpress.com/74/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/biografiagetuliovargas.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/biografiagetuliovargas.wordpress.com/74/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=biografiagetuliovargas.wordpress.com&amp;blog=28034755&amp;post=74&amp;subd=biografiagetuliovargas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>50 mil páginas de documentos já consultadas</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Oct 2011 17:34:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>biografiagetulio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Veja]]></category>

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		<description><![CDATA[(Paula Neiva &#8211; Veja Online) &#8211; Lira Neto é autor de algumas das biografias brasileiras de maior repercussão nos últimos tempos. Entre elas estão a da cantora Maysa (que serviu de referência para a minissérie global) e a de Padre Cícero. Seu próximo trabalho do gênero, sobre Getúlio Vargas, deve causar ainda mais barulho. Antes&#160;&#8230; <a href="http://biografiagetuliovargas.wordpress.com/2011/10/03/50-mil-paginas-de-documentos/">Leia mais</a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=biografiagetuliovargas.wordpress.com&amp;blog=28034755&amp;post=66&amp;subd=biografiagetuliovargas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(Paula Neiva &#8211; <em>Veja Online</em>) &#8211; Lira Neto é autor de algumas das biografias brasileiras de maior repercussão nos últimos tempos. Entre elas estão a da cantora Maysa (que serviu de referência para a minissérie global) e a de Padre Cícero. Seu próximo trabalho do gênero, sobre Getúlio Vargas, deve causar ainda mais barulho. Antes mesmo de os três volumes serem finalizados, as negociações para que a obra seja adaptada para a televisão e o cinema já começaram. Em um ano de pesquisa, Lira Neto contabiliza 50 000 páginas de documentos analisados. São cartas, processos judiciais e telegramas relacionados ao ex-presidente que Lira e sua equipe de pesquisadores garimparam em cinco estados brasileiros.</p>
<p>(<em>Publicado originalmente no site da revista Veja, em 7 de outubro de 2010. Foto: Acervo do Museu Joaquim José Felizardo/Fototeca Sioma Breitman</em>)</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/biografiagetuliovargas.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/biografiagetuliovargas.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/biografiagetuliovargas.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/biografiagetuliovargas.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/biografiagetuliovargas.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/biografiagetuliovargas.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/biografiagetuliovargas.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/biografiagetuliovargas.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/biografiagetuliovargas.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/biografiagetuliovargas.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/biografiagetuliovargas.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/biografiagetuliovargas.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/biografiagetuliovargas.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/biografiagetuliovargas.wordpress.com/66/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=biografiagetuliovargas.wordpress.com&amp;blog=28034755&amp;post=66&amp;subd=biografiagetuliovargas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Decifrando Getúlio</title>
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		<pubDate>Sun, 02 Oct 2011 22:05:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>biografiagetulio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diário do Nordeste]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>

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		<description><![CDATA[(Natercia Rocha &#8211; Diário do Nordeste) Depois de cinco biografias &#8211; O Poder e a Peste: A Vida de Rodolfo Teófilo (1999), Castello-A Marcha para a Ditadura (2004), O Inimigo do Rei: uma biografia de José de Alencar (2006), Maysa &#8211; Só Numa Multidão de Amores (2007) e Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no&#160;&#8230; <a href="http://biografiagetuliovargas.wordpress.com/2011/10/02/decifrando-getulio/">Leia mais</a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=biografiagetuliovargas.wordpress.com&amp;blog=28034755&amp;post=21&amp;subd=biografiagetuliovargas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p>(Natercia Rocha &#8211; <em>Diário do Nordeste</em>) Depois de cinco biografias &#8211; <em>O Poder e a Peste: A Vida de Rodolfo Teófilo</em> (1999), <em>Castello-A Marcha para a Ditadura</em> (2004), <em>O Inimigo do Rei: uma biografia de José de Alencar</em> (2006), <em>Maysa &#8211; Só Numa Multidão de Amores</em> (2007) e <em>Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão</em>(2009), o jornalista cearense Lira Neto está preparando seu novo trabalho. Dando continuidade à parceria com a editora Companhia das Letras, o escritor está trabalhando a biografia de um dos mais polêmicos, enigmáticos e controvertidos personagens da história brasileira: Getúlio Vargas.</p>
</div>
<div>
<p>&#8220;Dei início aos trabalhos na semana seguinte depois que entreguei os originais de <em>Padre Cícero</em> para a editora. Naquela ocasião, conversamos a respeito de novos projetos e disse que meu &#8216;sonho de consumo&#8217; como escritor era biografar Getúlio Vargas&#8221;, revela Lira. &#8220;Eles toparam na hora. Desde agosto de 2009, ou seja, há pouco mais de um ano, estou mergulhado nesse assunto&#8221;.</p>
<p>Ainda sem previsão de título para o livro, o autor adianta que a trajetória de vida pessoal e pública de Getúlio Vargas será esquadrinhada em três volumes, cada um com cerca de 500 páginas, a serem lançados com espaçamento de, aproximadamente, um ano entre um e outro. &#8220;Não posso adiantar muita coisa, nem de conteúdo, nem de prazos, até porque o cronograma ainda está sendo acertado com a editora. Mas posso dizer que os três volumes darão conta de toda a trajetória de Getúlio Vargas&#8221;.</p>
<p>Neste primeiro ano de trabalho, a pesquisa que Lira Neto vem desenvolvendo está concentrada na gênese da história do &#8220;pai dos pobres&#8221;. Desde o nascimento, infância e juventude e formação política em São Borja, no Rio Grande do Sul, até sua chegada à presidência da República.</p>
<p>&#8220;A longa história de Getúlio Vargas estará condensada em três volumes, mas meu primeiro campo de interesse está focado no momento em que ele entra para a política como deputado estadual, depois deputado federal, governador e ministro do governo Washington Luís&#8221;, ressalta o escritor.</p>
<p><strong>Documentos inéditos<br />
</strong><br />
Apenas na etapa inicial da pesquisa, cinco estados brasileiros já foram percorridos pelo biógrafo em busca de arquivos públicos e privados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul. Mas o autor adianta que serão vasculhados, também, arquivos internacionais.</p>
<p>&#8220;Esse livro, como todos os outros que escrevi, pretende ser apoiado, essencialmente, em fontes primárias. Não é uma simples pesquisa bibliográfica. Queremos trazer à luz uma série de documentos pouco visitados pela historiografia ou, em grande parte, absolutamente inéditos&#8221;, destaca.</p>
<p>&#8220;Em Minas Gerais, estive em Ouro Preto, local de passagem de Getúlio na pré-adolescência, quando estudou lá. Mas é no Rio Grande do Sul, tanto em São Borja, quanto em Porto Alegre, onde está o grosso da primeira fase da pesquisa, a maior parte dos documentos consultados. No Rio de Janeiro, no Centro de Pesquisa e Documentação da Fundação Getúlio Vargas, estão os arquivos pessoais dele. E em São Paulo as hemerotecas são muito ricas&#8221;, enfatiza. &#8220;Mas não vou me restringir a arquivos somente brasileiros. Pretendo contemplar, e já comecei a fazer isso, arquivos no exterior, especificamente nos Estados Unidos, Itália e Alemanha&#8221;.</p>
<p>Enquanto avança na pesquisa, o autor se prepara para receber a estatueta do 52º Prêmio Jabuti, por <em>Padre Cícero &#8211; Poder, Fé e Guerra no Sertão</em>, que ficou em segundo lugar (em empate com <em>Euclides da Cunha: Uma Odisseia nos Trópicos</em>, de Frederic Amory. O primeiro lugar foi para <em>Nem Vem que Não Tem &#8211; Vida e Veneno de Wilson Simonal</em>, de Ricardo Alexandre). Outra novidade é que, este ano, a Câmara Brasileira do Livro (CBL) está com votação aberta para o &#8220;Júri Popular&#8221;, em que internautas elegerão, entre os vencedores de ficção e não-ficção, o &#8220;Livro do Ano&#8221;.</p>
</div>
<div><em>(Texto publicado originalmente no Diário do Nordeste, em 15 de outubro de 2010. Foto: Acervo do Museu Joaquim José Felizardo/Fototeca Sioma Breitman)</em></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/biografiagetuliovargas.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/biografiagetuliovargas.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/biografiagetuliovargas.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/biografiagetuliovargas.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/biografiagetuliovargas.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/biografiagetuliovargas.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/biografiagetuliovargas.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/biografiagetuliovargas.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/biografiagetuliovargas.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/biografiagetuliovargas.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/biografiagetuliovargas.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/biografiagetuliovargas.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/biografiagetuliovargas.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/biografiagetuliovargas.wordpress.com/21/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=biografiagetuliovargas.wordpress.com&amp;blog=28034755&amp;post=21&amp;subd=biografiagetuliovargas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Getúlio continua uma esfinge</title>
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		<pubDate>Sun, 02 Oct 2011 22:02:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>biografiagetulio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Zero Hora]]></category>

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		<description><![CDATA[(Antônio Luiz Araújo - Zero Hora) - Biógrafo consagrado de vultos históricos, o escritor e jornalista Lira Neto se dedica há cerca de um ano a um livro sobre a vida de Getúlio Vargas. A obra terá a forma de uma trilogia, com cerca de 500 páginas, em média, por volume. Nascido no Ceará e radicado&#160;&#8230; <a href="http://biografiagetuliovargas.wordpress.com/2011/10/02/getulio-continua-sendo-uma-esfinge/">Leia mais</a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=biografiagetuliovargas.wordpress.com&amp;blog=28034755&amp;post=18&amp;subd=biografiagetuliovargas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p>(Antônio Luiz Araújo -<em> Zero Hora</em>) - Biógrafo consagrado de vultos históricos, o escritor e jornalista Lira Neto se dedica há cerca de um ano a um livro sobre a vida de Getúlio Vargas. A obra terá a forma de uma trilogia, com cerca de 500 páginas, em média, por volume. Nascido no Ceará e radicado em São Paulo, Lira diz: &#8220;Na Presidência, ninguém foi mais enigmático, contraditório, ambivalente&#8221;. O escritor se esquiva de revelar a data prevista para o lançamento da obra. Aceitou, no entanto, um pedido de <em>Zero Hora  </em>para responder, por e-mail, a perguntas sobre seu trabalho. A seguir, um resumo:</p>
</div>
<p><strong>Zero Hora</strong> – Por que o senhor decidiu biografar Getúlio Vargas?<br />
<strong>Lira Neto</strong>– Sempre me surpreendeu o fato de Getúlio ainda não ter sido alvo de uma biografia jornalística, moderna, exaustiva. Vinha flertando com o tema há vários anos. Em 2009, depois de entregar os originais de meu livro mais recente, Padre Cícero – Poder, Fé e Guerra no Sertão, resolvi que era chegada a hora de encarar o desafio. Tem sido fundamental a estrutura, a atenção e o apoio estratégico fornecido pela editora que publicará a obra, a Companhia das Letras.</p>
<p><strong>ZH</strong> – Como o senhor define Vargas?<br />
<strong>Lira</strong> – O melhor biografado é aquele que não pode ser definido com uma única palavra, numa única frase, em um único parágrafo, um único capítulo e, às vezes, nem mesmo em um único livro. No caso de padre Cícero, a pergunta que perpassa as quase 600 páginas da obra é exatamente esta: afinal, quem foi Cícero Romão Batista? Ao final da leitura, se tiver provocado no leitor mais dúvidas do que certezas absolutas, terei cumprido meu papel de biógrafo. Em se tratando de Getúlio, acredito em algo parecido.</p>
<p><strong>ZH</strong> – A Era Vargas acabou?<br />
<strong>Lira</strong> – Bem ao contrário disso. Para o bem e para o mal, ela parece mais viva do que nunca. Ao longo das décadas, muitas vezes decretou-se o fim da chamada “Era Vargas”: em 1954, às vésperas da morte de Getúlio; em 1964, quando do golpe militar; em 1994, com a posse de Fernando Henrique Cardoso, que inclusive pregou em discurso a necessidade de virar tal “página da história”. Nos últimos anos, e particularmente na eleiçãos presidencial que está sendo travadas, o legado de Getúlio está mais uma vez em questão. Mais vivo e mais polêmico do que nunca.</p>
<p><strong>ZH</strong> – Quem, na sua opinião, compreendeu melhor a figura de Vargas entre os historiadores?<br />
<strong>Lira</strong> – Há inúmeros trabalhos acadêmicos sobre ele. No conjunto, há obras de interpretação interessantes e bem relevantes. Mas ele continua sendo essencialmente uma esfinge.</p>
<p><strong>ZH</strong> – Qual é o método para não submergir nas fontes que constituem, hoje, a existência real de seu biografado?<br />
<strong>Lira</strong> – O maior erro, e sem dúvida o mais comum, é tentar dividir a vida de Getúlio em vários “Getúlios”: o revolucionário de 30, o ditador do Estado Novo, o populista do segundo governo, e por aí afora. Pode ser mais didático, mas também é mais mecânico, estanque e, portanto, simplista. O mais difícil e o mais excitante é tentar compreender como Getúlio foi capaz de redirecionar os rumos da história brasileira e, ao mesmo tempo, como também se permitiu direcionar e se reinventar a partir das transformações que ele mesmo foi produzindo. Maria Celina D’Araújo, por exemplo, em seus estudos, mostra isso de modo brilhante.</p>
<p><strong>ZH</strong> – O senhor biografou o escritor José de Alencar, o padre Cícero e o general e presidente Humberto Castello Branco – cearenses, como o senhor. Como o fato de Vargas ser gaúcho repercute em seu trabalho?<br />
<strong>Lira</strong> – O fato de ter biografado cearenses não foi, obviamente, uma coincidência. Isso tem relação imediata com o fato de serem personagens que, de um modo ou de outro, fazem parte de meu universo de interesse pessoal desde muito cedo. Mas biografei também a cantora Maysa, que era carioca, criada em São Paulo. Por meio de Maysa, biografei o fim da Era do Rádio e o início do mercado fonográfico, assim como o surgimento da TV e a pré-história da imprensa de celebridades. Getúlio, por sua vez, obviamente, não pertence apenas ao Rio Grande do Sul. Mas também é óbvio que precisei mergulhar fundo na gênese do biografado, procedendo a intensa pesquisa na história gaúcha, tarefa que foi facilitada pela excelência de trabalhos como os de Gunter Axt, Luciano Arrone Abreu, Joseph Love, Sandra Jatahy Pesavento, Maria Antonieta Antonacci, Ricardo Vélez Rodrigues, Eliane Colussi, Mario Maestri, Hélgio Trindade e tantos outros que, independentemente de pontos de vistas e conclusões antagônicas que possam ter, fornecem um painel rico e polifônico do Rio Grande da época. Ao evocar tais nomes assim, de memória, devo ter pecado pela omissão de alguns.</p>
<p>(<em>Texto publicado originalmente no Zero Hora, em 16 de outubro de 2010. Foto: Acervo do Museu Joaquim José Felizardo/Fototeca Sioma Breitman)</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/biografiagetuliovargas.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/biografiagetuliovargas.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/biografiagetuliovargas.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/biografiagetuliovargas.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/biografiagetuliovargas.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/biografiagetuliovargas.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/biografiagetuliovargas.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/biografiagetuliovargas.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/biografiagetuliovargas.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/biografiagetuliovargas.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/biografiagetuliovargas.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/biografiagetuliovargas.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/biografiagetuliovargas.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/biografiagetuliovargas.wordpress.com/18/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=biografiagetuliovargas.wordpress.com&amp;blog=28034755&amp;post=18&amp;subd=biografiagetuliovargas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>Figura polifônica</title>
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		<pubDate>Sun, 02 Oct 2011 03:28:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>biografiagetulio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Folha de S. Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>

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		<description><![CDATA[(Lira Neto &#8211; Especial para a Folha de S. Paulo) &#8211; Em 1950, Rubens Vidal, repórter da extinta Revista do Globo, desceu em um bimotor na fazenda Santos Reis, no interior do Rio Grande do Sul, com um propósito: pretendia escrever a biografia do ex-ditador que, deposto cinco anos antes, preparava-se para voltar ao Catete&#160;&#8230; <a href="http://biografiagetuliovargas.wordpress.com/2011/10/02/folha-de-s-paulo-figura-polifonica-de-getulio-tornara-controversa-qualquer-biogrfia-dele/">Leia mais</a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=biografiagetuliovargas.wordpress.com&amp;blog=28034755&amp;post=3&amp;subd=biografiagetuliovargas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://biografiagetuliovargas.files.wordpress.com/2011/10/get13.png"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-27" title="get1" src="http://biografiagetuliovargas.files.wordpress.com/2011/10/get13.png?w=150&#038;h=150" alt="" width="150" height="150" /></a>(Lira Neto &#8211; Especial para a <em>Folha de S. Paulo</em>) &#8211; Em 1950, Rubens Vidal, repórter da extinta <em>Revista do Globo</em>, desceu em um bimotor na fazenda Santos Reis, no interior do Rio Grande do Sul, com um propósito: pretendia escrever a biografia do ex-ditador que, deposto cinco anos antes, preparava-se para voltar ao Catete consagrado pelo voto popular.</p>
<p>&#8220;Sou contra biografias&#8221;, rechaçou Getúlio. Tratava-se de meia verdade. Ele já abrira parte de seus arquivos para três biógrafos. O resultado foram três panegíricos lançados em pleno Estado Novo.</p>
<p>Getúlio não era contra biografias. Na verdade, era a favor. Mas, como todo biografado, desde que elas falassem bem dele. Dono de uma trajetória controvertida, Getúlio, voluntariamente ou não, forneceria ainda muitas histórias para os pretendentes a biógrafos, fossem apologistas ou detratores. Talvez seja o personagem histórico sobre o qual mais se escreveu no Brasil. A despeito disso, curiosamente, não há uma grande biografia sobre ele.</p>
<p>Quando propus a Luiz Schwarcz, da Companhia das Letras, uma biografia de Getúlio, sabia o tamanho da encrenca em que me metia. Mas o apoio e o entusiasmo de Luiz foram tão animadores que comecei a trabalhar nisso um dia depois de apresentar à editora os originais de <em>Padre Cícero</em>, meu livro mais recente.</p>
<p>Há um ano, com a ajuda de uma boa equipe de pesquisadores, venho mergulhando em arquivos públicos e privados, de várias partes do país e do exterior. Foram visitadas dezenas de instituições e consultadas até agora cerca de 50 mil páginas de documentos: cartas, processos judiciais, telegramas, despachos, bilhetes, periódicos, relatórios, memorandos e mensagens oficiais.</p>
<p>Há muito mais a pesquisar, escarafunchar, descobrir. Só o Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil, da Fundação Getúlio Vargas, é um universo.</p>
<p>Como repórter, sempre acreditei na investigação rigorosa, paciente e excitante em fontes primárias, ferramenta básica do jornalismo. Não se faz boa narrativa histórica sem isso, a menos que se pretenda chover no molhado, fazer revisão bibliográfica, pôr em linguagem corrente o que já se escreveu.</p>
<p>Basta dizer que todos os autores que já trataram da juventude de Getúlio, por exemplo, repetiram-se insistentemente, sem avançar muito, quando se referem a dois esqueletos no armário dessa história: Getúlio teria mesmo, aos 14 anos, matado um estudante paulista em Ouro Preto? E, nos anos 20, teria realmente assassinado um índio no interior gaúcho?</p>
<p>As pistas para as respostas estão nos inquéritos policiais e nos processos judiciais que permaneciam, até aqui, aparentemente intocados em arquivos em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul. É imperativo gastar sola de sapato, decifrar caligrafias garranchudas, dialogar com documentos cobertos de pó. O grande desafio para qualquer biógrafo é construir, a partir desse amontoado de informações documentais, uma narrativa coesa e atraente.</p>
<p>No caso de uma história polifônica e fascinante como a de Getúlio, trata-se de uma equação ainda mais intrincada: tentar captar o biografado em todas as dimensões, articular a trajetória pública e os caminhos da vida privada, explorar o contexto em que agiu, transformou e, também, foi transformado.</p>
<p>Getúlio soube fabricar uma imagem pública sobre a qual até hoje se discute a partir de posições extremadas. Uma biografia dele, necessariamente, ainda que busque a isenção e o equilíbrio, também deverá ser alvo de controvérsias. &#8220;Sou contra biografias&#8221;, diria, numa hora dessas, o próprio Getúlio.</p>
<p>(<em>Texto publicado originalmente na Folha de S. Paulo, em 23 de outubro de 2010. Foto: Acervo do Museu Joaquim José Felizardo/Fototeca Sioma Breitman)</em></p>
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		<title>VEM AÍ A BIOGRAFIA DE GETÚLIO</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Sep 2011 04:25:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>biografiagetulio</dc:creator>
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		<description><![CDATA[(Foto: Acervo do Museu Joaquim José Felizardo/Fototeca Sioma Breitman) O jornalista Lira Neto está escrevendo a biografia de Getúlio Vargas, o mais importante e mais controvertido personagem da história política brasileira. Neste site, você recebe informações novas, acompanha as notícias publicadas na imprensa e sabe tudo sobre os preparativos da obra, que terá 3 volumes,&#160;&#8230; <a href="http://biografiagetuliovargas.wordpress.com/2011/09/05/vem-ai-a-biografia-de-getulio/">Leia mais</a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=biografiagetuliovargas.wordpress.com&amp;blog=28034755&amp;post=130&amp;subd=biografiagetuliovargas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(Foto: Acervo do Museu Joaquim José Felizardo/Fototeca Sioma Breitman)</p>
<p>O jornalista Lira Neto está escrevendo a biografia de Getúlio Vargas, o mais importante e mais controvertido personagem da história política brasileira. Neste site, você recebe informações novas, acompanha as notícias publicadas na imprensa e sabe tudo sobre os preparativos da obra, que terá 3 volumes, com cerca de 500 páginas cada um, e sairá pela Companhia das Letras. O primeiro tomo chega às livrarias no início de 2012.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/biografiagetuliovargas.wordpress.com/130/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/biografiagetuliovargas.wordpress.com/130/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/biografiagetuliovargas.wordpress.com/130/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/biografiagetuliovargas.wordpress.com/130/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/biografiagetuliovargas.wordpress.com/130/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/biografiagetuliovargas.wordpress.com/130/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/biografiagetuliovargas.wordpress.com/130/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/biografiagetuliovargas.wordpress.com/130/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/biografiagetuliovargas.wordpress.com/130/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/biografiagetuliovargas.wordpress.com/130/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/biografiagetuliovargas.wordpress.com/130/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/biografiagetuliovargas.wordpress.com/130/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/biografiagetuliovargas.wordpress.com/130/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/biografiagetuliovargas.wordpress.com/130/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=biografiagetuliovargas.wordpress.com&amp;blog=28034755&amp;post=130&amp;subd=biografiagetuliovargas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Por que Getúlio se matou?</title>
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		<pubDate>Sat, 09 Oct 2004 15:32:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>biografiagetulio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aventuras na História]]></category>

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		<description><![CDATA[(Lira Neto &#8211; Aventuras na História) Os últimos dias do presidente revelam o isolamento político e as ameaças que ele e sua família vinham sofrendo e que o levaram ao beco sem saída no qual acabou morto, com um tiro no peito Pelo telefone, claramente emocionado, o ministro da Fazenda, Oswaldo Aranha, leu para a&#160;&#8230; <a href="http://biografiagetuliovargas.wordpress.com/2004/10/09/por-que-getulio-se-matou/">Leia mais</a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=biografiagetuliovargas.wordpress.com&amp;blog=28034755&amp;post=215&amp;subd=biografiagetuliovargas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://biografiagetuliovargas.files.wordpress.com/2011/10/ah2.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-218" title="ah" src="http://biografiagetuliovargas.files.wordpress.com/2011/10/ah2.jpg?w=113&#038;h=150" alt="" width="113" height="150" /></a>(Lira Neto &#8211; Aventuras na História)</p>
<p><em>Os últimos dias do presidente revelam o isolamento político e as ameaças que ele e sua família vinham sofrendo e que o levaram ao beco sem saída no qual acabou morto, com um tiro no peito</em></p>
<p>Pelo telefone, claramente emocionado, o ministro da Fazenda, Oswaldo Aranha, leu para a Rádio Nacional a carta-testamento encontrada na mesinha de cabeceira do presidente morto: “Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte. Nada temo. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história”. O relógio indicava que faltavam 15 minutos para as 9 da manhã daquele 24 de agosto de 1954. Nunca o país assistira a tamanha comoção popular como a que veio logo após a divulgação da notícia: Getúlio Vargas se matara, em seu quarto, por volta de 8h30, com um tiro no peito.</p>
<p>Multidões saíram às ruas. Enfurecidos, manifestantes depredaram a sede da Tribuna da Imprensa, o jornal de Carlos Lacerda, mais furibundo dos adversários de Getúlio. Uma massa humana de 100 mil pessoas, a maioria em pranto incontrolável, desfilou diante do caixão do presidente, velado no próprio Palácio do Catete, sede do governo federal, no Rio. A imprensa noticiou que cerca de 3 mil pessoas presentes ao velório, vítimas de desmaios, mal-estares, crises nervosas e problemas de coração, precisaram ser atendidas pelo serviço médico do palácio. Na enfermaria, o estoque de calmantes esgotou-se em minutos. O país inteiro quedou em estado de choque. Ninguém esperava por aquele desfecho para a crise que se abatera como uma nuvem negra sobre o governo, apesar de o próprio Getúlio ter dito, dias antes, com todas as letras: “Só morto sairei do Catete”.</p>
<p>A pergunta que se fez à época, e que até hoje ecoa, exatos 50 anos depois, é uma só: afinal, por qual motivo Getúlio se matou? O que levou o presidente a puxar o gatilho de seu revólver, após apontá-lo contra o próprio coração? Que sentimentos insondáveis povoavam o homem Getúlio Vargas no instante daquele gesto que mudaria a história do Brasil?</p>
<p>Como sempre ocorre, boa parte das possíveis respostas e certezas morreu junto com o próprio suicida. Mas, reconstituindo os fatos daquele aziago mês de agosto – mês de desgosto, no imaginário popular brasileiro –, é possível esclarecer os últimos momentos de Getúlio. Entre as tantas hipóteses, conjecturas e análises divergentes, uma coisa pelo menos é certa: o governo Vargas começou a morrer 20 dias antes, alvejado por outro tiro, este ironicamente disparado contra seu arquiinimigo Carlos Lacerda. Entre os dois tiros, um que atingiu o pé esquerdo de Lacerda, o outro que se alojou no peito de Getúlio, estão as respostas para a pergunta que não quer calar.</p>
<p>Na madrugada de 5 de agosto, pouco depois da meia-noite, Carlos Lacerda havia sido vítima de um atentado diante do portão do prédio onde morava, na rua Tonelero, em  Copacabana. Dois disparos atingiram seu acompanhante, o major da Aeronáutica Rubens Vaz, que não resistiu aos ferimentos. Foi impossível não ligar o atentado da Toneleros às críticas virulentas disparadas diariamente por Lacerda contra o governo pelas páginas da <em>Tribuna da Imprensa</em>. Com a linguagem destemperada de sempre, Lacerda chegara a chamar o presidente de “monstro”, o deputado Lutero Vargas de “filho rico e degenerado do Pai dos Pobres” e Oswaldo Aranha de “mentiroso e ladrão”.</p>
<p>Carlos Lacerda escapou, por pouco, do atentado. Naquele mesmo dia exibiu, em seu jornal, as fotos de um ferimento a bala em seu pé esquerdo – ferimento cuja veracidade seria contestada depois. O prontuário do Hospital Miguel Couto, onde fora atendido, sumiria misteriosamente. Mas o estrago, àquela altura, já estava feito. “Acuso um só homem como responsável por esse crime. É o protetor dos ladrões, cuja impunidade lhes dá a audácia para atos como o desta noite. Esse homem é Getúlio Vargas”, escreveu Lacerda. A oposição tinha agora um cadáver, o do major Vaz, e seu principal representante, antes já suficientemente feroz, passara a agir a partir de então como um animal ferido.</p>
<p>“Esses tiros me ferem pelas costas”, reconheceu Getúlio. As principais suspeitas recaíram sobre Gregório Fortunato, chefe da guarda pessoal do presidente. Na manhã do dia 5, Getúlio chamou Gregório e indagou-lhe se tinha participação no episódio. Ele negou. À tarde, no Congresso, o líder da maioria, Gustavo Capanema, leu uma declaração assinada por Vargas: “Até agora considerava Lacerda meu principal inimigo. Mas agora o considero meu inimigo número 2; o número 1, aquele que causou o maior prejuízo ao meu governo, foi o homem que atentou contra sua vida”.</p>
<p>Contudo, os indícios e as investigações da trama logo apontaram para os corredores do Palácio do Catete. O fio do novelo começou a despontar logo no primeiro dia, quando um motorista de táxi que trabalhava próximo ao palácio apresentou-se voluntariamente à polícia e afirmou que levara, na noite anterior, um membro da guarda presidencial, Climério de Almeida, ao local do crime. Manifestações de protesto civis e militares pipocavam na capital federal, deixando o governo cada vez mais acuado. Cerca de 5 mil pessoas compareceram ao enterro de Vaz, enquanto Climério, em vez de prestar esclarecimentos, tratou de desaparecer do mapa.</p>
<p>No dia 8, com as acusações desabando sobre sua mesa de trabalho, Getúlio resolveu dissolver a guarda pessoal e franquear as dependências do Catete para as investigações. Tal atitude não satisfez a ira dos adversários. No Congresso, deputados da conservadora UDN (União Democrática Nacional), agrupados na chamada “Banda de Música” – assim conhecida pelo barulho que provocava em plenário com seus discursos inflamados e orquestrados –, passaram a exigir a renúncia de Vargas. Da Aeronáutica, a crise logo se alastraria para as demais corporações armadas. Durante todo o seu governo, Getúlio enfrentara a oposição dos militares, especialmente após ter nomeado, no ano anterior, João Goulart, o Jango, no cargo de ministro do Trabalho. Jango, considerado pelos quartéis um notório esquerdista, propôs um aumento de 100% no salário mínimo e acabou derrubado do cargo, por pressão dos militares.</p>
<p>A saída de Goulart do governo não afastara a desconfiança dos quartéis ou das forças políticas e econômicas mais conservadoras, que diagnosticavam no nacionalismo de Vargas uma perigosa “guinada à esquerda”. Assim, naqueles dias tormentosos de agosto, as forças civis e militares insatisfeitas com os rumos do governo vislumbraram a ocasião propícia para afastar, de uma vez por todas, Getúlio do poder. Fazendo coro à “Banda de Música” udenista, membros do Alto Comando das Forças Armadas decidiram bombardear a resistência do presidente. No dia 12, data da missa de sétimo dia do major Vaz na Candelária, foi instaurado na Base Aérea do Galeão um inquérito policial-militar, um IPM, sob o comando do coronel Adil de Oliveira. Apelidado de “República do Galeão”, o IPM deteve suspeitos, convocou testemunhas e, em poucos dias, selaria o destino do presidente.</p>
<p>Enquanto o IPM era instalado e o comércio do centro do Rio fechava as portas para celebrar o luto pelo major Vaz, Getúlio decidiu viajar para Minas Gerais, onde foi recebido com pompa e circunstância pelo governador Juscelino Kubitschek. Na inauguração de uma siderúrgica em território mineiro, faria seu último e contundente discurso: “Advirto aos eternos fomentadores da provocação e da desordem que saberei resistir”, disse o presidente ao microfone, emocionado, ao lado de um sempre sorridente JK. No dia seguinte, de volta ao Rio, encontrou o cenário ainda mais turbulento. Um pistoleiro, Alcino do Nascimento, havia sido preso e confessara ter atirado contra Lacerda por encomenda de Climério, ainda foragido. Mas o pior ainda estava por vir: pelo depoimento de Alcino, as suspeitas da autoria intelectual do atentado recaíam agora sobre Lutero Vargas, ninguém menos do que o filho do presidente.</p>
<p>Lutero, por recomendação expressa de Getúlio, apresentou-se espontaneamente ao IPM e renunciou à sua imunidade parlamentar, pondo-se à disposição das investigações. “Estou sendo vítima de uma torpe difamação”, diria ele ao país, por meio de uma rede oficial de emissoras de rádio. Mas, nos dias seguintes, uma sucessão de acontecimentos abalaria ainda mais as estruturas do Catete. Em 16 de agosto, com a tropa fora de controle, o ministro da Aeronáutica Nero Moura pediu demissão. No dia 18, Climério foi preso e confessou ter recebido ordens de Gregório Fortunato, cuja prisão já havia sido determinada pelo IPM no dia 15.</p>
<p>Há quem afirme que Fortunato, após sustentar outras versões, acabou assumindo a culpa pelo atentado contra Lacerda para proteger aquele que seria o verdadeiro culpado do crime, Benjamin Vargas, o “Bejo”, irmão caçula de Getúlio. O jornalista José Louzeiro, por exemplo, foi um que defendeu a hipótese em seu livro <em>O Anjo da Fidelidade: A História Sincera de Gregório Fortunato</em>. Segundo seu biógrafo John W.F. Dulles, Lacerda também tinha a firme convicção de que Bejo seria o mandante do crime. Seja como for, outras revelações do IPM, levadas a público no dia 18 de agosto, apontariam novas e suspeitas ligações de Fortunato com familiares do presidente. De acordo com documentos apreendidos no porão do Catete, no arquivo pessoal de Fortunato, o filho mais novo de Getúlio, Manoel Antônio Vargas, o Maneco, vendera ao Anjo Negro uma fazenda por 3 milhões de cruzeiros – quando o salário de Fortunato não passava de 15 mil cruzeiros mensais. Era a gota d’água. “Estou mergulhado em um mar de lama”, foi a frase atribuída a Getúlio naqueles dias de tensão sem trégua.</p>
<p>A revelação alquebrou as forças do presidente. Segundo o jornalista Glauco Carneiro conta em seu livro Lusardo, o Último Caudilho, Oswaldo Aranha encontrou Getúlio debruçado numa janela do Catete, de óculos escuros, procurando esconder os olhos vermelhos. “Reaja, você é um homem forte”, Aranha ainda tentou animá-lo. Mas o cerco se fechara. No dia 21, o presidente recebeu no palácio o seu vice, Café Filho, que dez dias antes havia se reunido secretamente com Carlos Lacerda e aderido à conspiração. Café propôs a Getúlio o que havia combinado anteriormente com Lacerda: a tese da renúncia conjunta do presidente e do vice. Getúlio, porém, desconversou. No entanto, seus dias de governo – e de vida – já estavam contados.</p>
<p>Em 22 de agosto, um grupo de brigadeiros divulgou um manifesto que exigia a renúncia imediata do presidente. Os almirantes se disseram solidários aos colegas da Aeronáutica e também pediram a cabeça de Getúlio. A posição do Exército viria logo depois, no dia 23. Um documento assinado por 27 generais circulou pelos quartéis e passou a ser entendido como uma espécie de ultimato: “Os abaixo-assinados (…) declaram julgar como melhor caminho para tranqüilizar o povo e manter unidas as Forças Armadas a renúncia do atual presidente da República”.</p>
<p>A notícia do Manifesto dos Generais, junto com a informação de que se tornara praticamente impossível controlar a agitação na caserna, chegou a Getúlio por volta de 0h daquele trágico 24 de agosto. A informação seria levada ao Catete pelo ministro da Guerra, general Zenóbio da Costa, e pelos também generais Mascarenhas de Morais e Odylio Denys. Exausto, Getúlio disse-lhes que convocaria uma reunião ministerial no dia seguinte para discutir a gravidade da situação. Mas o general Mascarenhas, apreensivo, aconselhou ao presidente que, mesmo levando-se em conta o adiantado da hora, era melhor que todos os ministros fossem tirados da cama e convocados imediatamente ao palácio. Getúlio compreendeu a urgência do caso, acatou a sugestão e ordenou que os assessores se concentrassem na tarefa de acordar o ministério com telefonemas disparados no meio da madrugada.</p>
<p>A tal reunião se arrastou, lenta, até depois das 4 da manhã, sem chegar a nenhuma conclusão. Alguns ministros sugeriram a resistência, apoiados pela palavra firme da filha do presidente, Alzira Vargas, que mesmo não sendo convidada invadira o salão ministerial e fizera questão de participar da reunião. Outros, a exemplo de José Américo de Almeida, ministro das Viações e Obras Públicas, afirmaram que a melhor saída, para evitar derramamento de sangue, seria mesmo resignar-se e submeter-se à renúncia. Impaciente, Getúlio abriu a agenda pessoal e rabiscou a seguinte nota: “Já que o ministério não chegou a uma conclusão, eu vou decidir. Determino que os ministros militares mantenham a ordem pública. Se a ordem for mantida, entrarei com um pedido de licença. Em caso contrário, os revoltosos encontrarão aqui o meu cadáver”.</p>
<p>Aquela última frase da anotação, logo se saberia, não significava um esforço retórico, uma mera frase de efeito. Dias antes, em 13 de agosto, Alzira Vargas já encontrara um rascunho, escrito a lápis pelo pai, no mesmo tom: “Deixo à sanha dos meus inimigos o legado da minha morte”. No dia 23, véspera da reunião ministerial, o jornal getulista Última Hora, de Samuel Wainer, publicara uma manchete que também se anunciaria profética: “Getúlio ao povo: Só morto sairei do Catete”.<br />
Após a reunião, sozinho em seu quarto, Getúlio não conseguiu pregar o olho. Foi procurado pelos familiares pelo menos três vezes entre o final da madrugada e o começo da manhã.</p>
<p>Primeiro, Alzira levaria a ele a nota oficial redigida pelo ministro da Justiça, Tancredo Neves, anunciando a decisão presidencial de licenciar-se do cargo até que todas as acusações fossem devidamente apuradas. Getúlio não quis ler a mensagem e pediu para que o deixassem sozinho. Poucos minutos mais tarde, em duas ocasiões, o irmão Benjamin foi também até o quarto, agora para dar-lhe duas más notícias: o IPM estava convocando Bejo para depor imediatamente e os militares não haviam aceitado a idéia de uma simples licença. Os quartéis insistiam no afastamento definitivo do presidente.</p>
<p>Às 8h30 da manhã, ouviu-se um tiro. Os familiares encontraram Getúlio agonizante, o corpo sobre a cama, o buraco da bala pouco acima do monograma “GV” gravado no bolso do pijama, por onde o sangue corria aos borbotões. “Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada da resistência”, diria certo trecho da carta-testamento. Há quem diga que o texto não era de Getúlio e sim do jornalista José Soares Maciel Filho, que o escrevera sob encomenda. Porém, nesta história cheia de controvérsias, pontos obscuros e detalhes nunca esclarecidos, a autoria da carta é o que menos importa.</p>
<p>O fato é que, se houvesse sucumbido à renúncia, tendo em vista a sanha de seus adversários e as graves acusações que recaíam contra si e seus familiares, Getúlio teria sido alvo de um linchamento moral sem precedentes. “Getúlio tinha uma profunda consciência de seu significado como personagem histórico. Seu último e trágico gesto precisa ser compreendido dentro dessa dimensão”, afirma o historiador Jaime Pinsky, professor da Unicamp. Quer dizer: o suicídio foi um ato político. “Ele preferiu protagonizar um teatro de tragédia a submeter-se à humilhação e ao teatro patético que os adversários encenariam com sua renúncia”, diz.</p>
<p>Segundo o historiador Marco Antônio Villa, autor de Jango, um Perfil, e que atualmente trabalha na biografia política de Vargas, aos 72 anos ele apresentava um certo cansaço e uma indisfarçável solidão. “Durante todo aquele mês de agosto, ele se sentiu abandonado pelos antigos aliados. Com toda a sua história de vida, ele não se submeteria mais à renúncia ou à derrota final do exílio”, diz. Para o presidente, a única forma de impedir a humilhação de uma devassa em sua vida era o suicídio.</p>
<p>Outro ponto pendente é que, vivo, Getúlio, ou pelo menos sua família, teria de enfrentar a Justiça. “A chamada ‘República do Galeão’ prosseguiria fustigando-o, num processo que talvez culminasse com sua prisão ou a prisão de gente muito próxima a ele”, diz Marco Antônio. De fato, menos de um mês depois da morte do presidente, o IPM que investigava o atentado a Lacerda foi encerrado e o irmão de Getúlio, Benjamim, e o filho, Lutero, inocentados. O único culpado foi Gregório Fortunato.</p>
<p>Com o suicídio e a comoção nacional que se seguiu, Getúlio transformou seu nome em mito. “Não foi uma decisão fácil, mas a percepção que Getúlio tinha de si mesmo, de seu papel histórico, transcendia sua própria existência terrena, de carne e osso”, diz Jaime Pinsky. Assim, os que conspiraram contra ele tiveram que esperar dez anos para, só então, concretizar seus planos. Antes disso, apesar de algumas tentativas, não houve clima político nem apoio popular para tal. Só exatamente uma década depois a “Banda de Música” udenista e os mesmos militares que assinaram o Manifesto dos Generais conseguiriam chegar ao poder, após derrubarem o herdeiro direto do getulismo, João Goulart. Afinal, o golpe de Estado que o país assistiria em 1964 foi, em edição revista e atualizada, o mesmo que Getúlio adiou, em 1954, ao apontar contra o próprio peito o cano frio do Colt calibre 32 com cabo de madrepérola.</p>
<p>(<em>Texto publicado originalmente na revista Aventuras na História, agosto de 2004</em>)</p>
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